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quinta-feira, maio 07, 2015

“Pingos de vida”



Banhas o meu corpo com teu ar doce, salgado
Mesmo sabendo que o teu sangue está envenenado
Antes de até mim chegares, de me aconchegares
Com a tua corrente cristalina
Onde o sol se reflecte a cada esquina do teu amanhecer
Quando livre deslizas no teu leito encantado, serpenteado
Soltas pingos e limpas o ar que respiro
Cheiros inodoros penetram cada poro quando te aspiro
Teus sucos são bênçãos nos meus áridos desertos
Quando te absorvo de um trago ou suavemente
Semeias cor, dás vida a cada célula que tocas, renovas
Invernos gelados, Primaveras de tempestades aguadas
Absorvidas pelo raio de calor que te aquece e ilumina
Mergulho por entre as tuas gotas, molhadas
Sinto-te nos dedos quando acordo e te toco, orvalho matinal
Atravesso o nevoeiro profundo onde ecoam os teus sons suaves
Ouço o teu gemido, o teu grito de apelo:
Áááguuua! Ááááááguuuuuuaaaa!
E mais longe ainda, do fundo do poço
Áááguuuuaaa!
Eu sou, ÁGUA!
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sexta-feira, março 20, 2015

“Um Galo”



Cai e levanta
Cai e levanta
Arrasta-se pelo chão
Um galo canta
A canção do bandido
E ela arrasta-se
Levanta, não levanta
E o galo canta
Não há galinhas a cacarejar
Nem portas a rebentar
E o galo canta
E a mula a zurrar
E ela se levanta
Com picos na garganta
Os olhos a chorar
Ri e pergunta ao galo:
P’ra quê chatear?
Eu sei que vai curar
E tu,
Tu vais parar de piar
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segunda-feira, janeiro 12, 2015

“Paixão da Lágrima”

Corta-se-lhe o coração, a veia
Porque se enamorou da faca matreira.
Uma lágrima corre, a face cora
É uma que cebola chora.

.








Soltas-te leve,
Doce, Amarga
De um cheiro intenso que me assolou,
Que me arrebatou.
E rolaste sem chão
Inundaste os meus socalcos
Desenhados pelo tempo
Expressões impregnadas de vida
Marcas de risos, tristezas, indecisões.
Continuarás a rolar
Sempre que ela ali estiver,
À minha frente
Em cada momento
Que o gesto se repita.
Não estou aflita
Porque gosto que descubras
O sabor que ela tem
Fica sempre bem!
Ela chama por ti
Com espirros atrevidos
Que por ti não serão ouvidos.
Sentes a sua presença
Espreitas pelas janelas,
Fechas as cortinas
Esgueiras-te do teu esconderijo
Vens saudá-la, elogiá-la.
Ela espera por ti, quer o teu afago
O teu sabor salgado
O petisco será temperado.
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domingo, maio 05, 2013

“Espelho das Lágrimas”


No chão que se abre em espelho
Derramo lágrimas
que me são devolvidas em sorrisos de flores.
Pétalas agrestes, doces, salgadas
Polvilhadas de cores sem pimentas
Gotas amargas, ternurentas
Opacas, transparentes
Ilusões trituradas, massacradas
lançam as suas sementes.
Orvalhos, delírios em trios, aguardam
para serem tocados, manietados
sibilados… cantados.
Espelho das lágrimas que me devolves
tudo quanto em ti planto
Renova as folhas, as páginas em branco.

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terça-feira, fevereiro 05, 2013

“Sensibilidade à solta”


“Sensibilidade à solta”
Traz lágrimas
sorrisos
Gargalhadas
em frisos
baralhados
escondidos
repenicados
torcidos…
Sentidos
De uma só gota
retorta
direita
em vão pelo chão.
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