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sexta-feira, setembro 11, 2015

“Infestação II”

Sinto os efeitos nefastos
Dos silêncios perturbadores
Nos meus pensamentos
Sinto o cheiro dos sulfitos
Nas palavras podres que leio
Adormeço nas luzes das trevas
Que embalam meus sonhos distantes
Desperto com os sons estridentes
Das gralhas que soletram, letra a letra
As músicas desconcertadas das sinfonias
Que diariamente nos assolam os pomares de rosas
Com picos de cardos, malcheirosas
       Infestadas de bichos peçonhentos
                            Aves agoirentas de bicos retorcidos, encardidos
Que esgravatam, bicam, picam,
Destroem, desertificam
        Sangues putrefactos que envenenam,
        Que sugam as linfas, os néctares puros.
 Copyright © 2015 by MCéuNeves 

sexta-feira, março 21, 2014

“A Revolta das Tu(r)bulações”

Há isolações
Que não são insolações
Nem tão pouco constelações.
São mais fornicações
Aplicadas por certos cabrões
Que (julgam) pensam que têm colhões.   
Deixem-se de ser vendilhões
Vão-se embora fodilhões
Espíritos sem corações.
Copyright © 2014 by MCéuNeves

(nota: quem tiver os olhos sensíveis, é favor não ler)

segunda-feira, janeiro 07, 2013

“O Grito da Alma”


Quero gritar
 
Espezinhar a merda dos abutres, das hienas
Que nos estão a corroer, a definhar o esqueleto vivo
Embalar com cordas os cornos dos torturadores da massa viva
Que nada merecem a não ser pena, desprezo
Que valem tanto como um escarro verde que empesta o ambiente
Quero desinfectar a alma,
Libertá-la da podridão que os cães sarnentos andam a disseminar
Quero a calma, a serenidade
O regresso da pureza, da humildade, da paixão
Quero Viver!
Copyright © 2012 by MCéuNeves
 

quarta-feira, novembro 21, 2012

“Amotinação”

Catacumbas vivas, ensarilhadas
Moinhos de vento rugem na sua vertigem
Vagas de tumbas se levantam, ensonadas
Gritam nas selvas carros cheios de fuligem     
Amarguras, vaias, torpedos
Montanhas, altos rochedos
Erguem-se, avançam, revoltam-se
Das sombras raivosas não têm medo.
Copyright© 2012 by MCéuNeves



 


quinta-feira, dezembro 08, 2011

“A Espera”










Procuraste, procuraste
Nada encontraste por detrás dos armários
Quem escondeu foi o mesmo que te corrompeu
Que te roubou o olhar enigmático de seda
De cada vez que olhavas para além daquela chaminé encarvoada
Em busca do Pai Natal que não chegava
O galo cantou, a aurora chegou e tu ali permanecias
Dormitavas à lareira onde o café se fazia numa cafeteira
Perdeste o encanto envolto no manto róseo de franjas delicadas
Soltaste um grito de gato assanhado que está acorrentado:
- Eu aqui declaro que nunca, nunca mais me visto de azul claro
Para esperar por um velho de barbas brancas vestido de encarnado.
 
Copyright © 2011 by MCéuNeves

quinta-feira, novembro 17, 2011

"A Marcha do Nu"

Nus ao mundo nós viémos
Nus embora havemos de ir
Nus todos os dias ficamos
Nus sem conseguir rir.
Nus, simplesmente nus.

Nus de fome sangrenta
Nus sem abrigo nem casa
Nus com conhecimentos
Nus muito esperançados
Nus sem apelo nem graça
Nus, simplesmente nus.

Nus carecas, penteados
Nus sujos, lavados, sebentos
Nus gordurosos, vinagrentos
Nus inodoros, perfumados
Nus magros, obesos, cansados
Nus, simplesmente nus.

Nus revoltados, vingativos
Nus agressivos, transviados
Nus loucos, parados, dormentes
Nus, simplesmente nus.

Nus sem sonhos, sem casas, sem livros
Nus sem camisas, sem sapatos, sem dentes
Nus sem famílias, sem amigos, sem parentes
Nus, simplesmente nus.

Copyright © 20011 by MCéuNeves