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sábado, março 19, 2016

“Título Inverso”

Recessos de marcas invisíveis
Silenciosas, sensíveis
Que nunca serão lidas
Quanto mais sabidas!
Podem esperar por elas
Que nunca aparecerão
Mesmo que as procurem
Elas nunca se manifestarão
Estão escondidas
Num lugar deserto
Sem mapa de acesso
A salvo de qualquer invasão.
São memórias pessoais
Cheias de gritos, de ais
Impossíveis de alcançar
Porque não as podem espreitar
Não têm espelhos para mirar
Nem reflexos que possam observar
Estão distantes no tempo, no espaço
Só as sente quem lhes der um abraço
“As lágrimas Que Nunca Verão”
Copyright © 2016 by MCéuNeves 

“Sinto no silêncio”


A mente dormente
Palavras não saem
Saudades, sim
Saudades, não
Sou o que sou
Deste-me a mão
Copyright © 2016 by MCéuNeves 

sexta-feira, março 21, 2014

“Se Vieres... Não Caias”


Se vieres ter comigo,
eu estou.
Estou aqui à tua espera
Não demores muito
Que não quero criar moscas
As ervas são muito toscas
Cheiram a palha ardida
Remexida
pelos cães que a vão ver
Ainda antes do sol nascer.
Vem, que te aguardo
No regato seco, molhado
Com o suor das ceifeiras
Eu não digo asneiras
Mesmo que tu te atrases
Rio com os milhafres
É hora de apartar
de sumir, aconchegar
de te acolher num abraço
Deita a cabeça no regaço
Bendito, não aflito
Ornado de migalhas
Se fores por ali,
não caias!
Copyright © 2013 by MCéuNeves

domingo, maio 05, 2013

“Espelho das Lágrimas”


No chão que se abre em espelho
Derramo lágrimas
que me são devolvidas em sorrisos de flores.
Pétalas agrestes, doces, salgadas
Polvilhadas de cores sem pimentas
Gotas amargas, ternurentas
Opacas, transparentes
Ilusões trituradas, massacradas
lançam as suas sementes.
Orvalhos, delírios em trios, aguardam
para serem tocados, manietados
sibilados… cantados.
Espelho das lágrimas que me devolves
tudo quanto em ti planto
Renova as folhas, as páginas em branco.

Copyright © 2013 by MCéuNeves 

terça-feira, fevereiro 05, 2013

“Sensibilidade à solta”


“Sensibilidade à solta”
Traz lágrimas
sorrisos
Gargalhadas
em frisos
baralhados
escondidos
repenicados
torcidos…
Sentidos
De uma só gota
retorta
direita
em vão pelo chão.
Copyright © 2013 by MCéuNeves

sexta-feira, janeiro 25, 2013

“Talvez sim… ou Não”

Li-te sem te ter lido
Conheci-te sem te conhecer
Porque me mostraste os vôos brancos da tua águia
Porque vi as asas negras do morcego numa gruta a hibernar
Porque estiveste sem estar
Porque tiveste que partir sem nada deixar
Para soltar amarras que podiam magoar.
Por onde andas a ver o sol?
Por onde andas perdido, ou talvez não…
Por entre as cordas da tua viola,
Por entre os saltos das teclas a “pianar”?…
Quisera saber sem o saber, sem contudo te perturbar.
Talvez sim, ainda existas
Talvez não, não tenhas partido
Porque te vou relembrar
Reler o que não li
Ver o que não vi
Cantar o que sonhei
Com que me iludi, me embriaguei
Que um dia tive sem ter e que guardarei
Talvez sim… ou talvez não.
Copyright © 2013 by MCéuNeves

terça-feira, novembro 13, 2012

“Sou e Não Sou”

Não sou urso(a) para hibernar
Pedra que se possa quebrar
Nem terra para enlamear.
Sou uma alma deserta
Num corpo nu, encoberta
Suspensa numa ilha deserta
Que ninguém quer amar.
Sou a solidão que me pesa
Do solo ao universo
No restolhar da folhagem
Nos recantos ermos, terrestres
Nas abóbadas celestes
No infinito disperso
Que teima por aqui andar,
A vaguear…
Sem sono, esperança, quietude
No meio desta amplitude
Que se chama verdejar.
E se alguém quiser aclamar
Aquilo que a semente deu,
Escusa de perder seu tempo
Pois eu não vou reclamar
Daquilo que não nasceu.
Sou terra de pedra dura
Que se puxa, torce ou se empurra
Consoante as ondas do mar.
Sou pó branco, róseo, castanho
Que se molda ou se enruga
Que se esfuma ou que perdura.
Dentro do meu coração existe
Uma moldura de tamanho infinito
Que decidiu expressar-se
Por ele se sentir aflito
Apenas e só…
Eu GRITO.
Copyright © 2012 by MCéuNeves
                                                                                    


 

 

quinta-feira, novembro 01, 2012

“Olho de Serpente”


A lua espreita lá em cima
As lágrimas salgadas que caem sobre a terra
Amargo doce que refresca
A alma que seca deserta no seu interior
Ouve os sons musicais, quantas vezes infernais
Que entram nos sulcos deixados pelas correntes, quentes
Geladas
Semi cerradas pelos arbustos que os ladeiam.

Salpicos de sol fazem-se sentir,
Iludir nas transmutações dos dias e das noites
Qual martelo a aplaudir a bigorna
Onde os ferros se retorcem, esticam,
Enguiçam, entrelaçam
Em braços fortes ou frouxos
Destemperados, azedos,
Quais brinquedos partidos, idos
E nunca mais à esperança da criança
Reunidos.
Copyright© 2012 by MCéuNeves
      

segunda-feira, março 07, 2011

“Os Meus Sapatos”


O que vem, o que vai, o que fica

Desta amiga bonita que trago dentro de mim

Sapatos engravatados,

Que pisam soalhos molhados

Que riem, troçam de mim

Escondem-se agasalhados

Com medo de tantos ratos

Que por ali andam, sempre à espreita

Aguardam a cada esquina

Um resvalar, daquela doce menina

Que me acompanha na vida

Eles matreiros atacam

Retiram atilhos, desapertam os sapatos

Correm soltos e aflitos

E pelo meio de choros e gritos

Vencem todas as batalhas

Regressam ao seu sossego

E dizem-lhe: Não tenhas medo.

Copyright © 2011 by MCéuNeves

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

“Progresso”


Por fora canela

Por dentro jasmim

Matei a cadela

Flori o jardim

Copyright © 2011 by MCéuNeves

“A Insana Mente”


A insana mente

Desliza, escorrega

A insana mente

Repudia, escarnece

A insana mente

Ataca, desfalece

A insana mente

Cansada, adormece

A insana mente

Mente!

Copyright © 2011 by MCéuNeves

“Solta-se a Besta”


Rebenta

Rebenta com os cascos

A cavalgadura podre que dorme

Abre

Abre a vaga das marés

Que não tardam a chegar

Rasga

Rasga as emoções

Escritas de sangue

São horas categóricas

Profundas, lamentáveis

Inscritas de poderes

De críticas contorcidas

Virulentas, manchadas

Solta

Solta as amarras, os grilhões

Que tanto pesam, que torturam

Lava

Lava tudo ao pormenor

E que nada fique, que nada reste

Das sombras, dos monstros

Que te habitam

Limpa

Limpa a calçada, as estepes

Os ventos finos e agrestes

E sobe

Sobe, vem ao patamar

Das folhas caídas

Das flores a voar

Com cheiros de rosas

Com cheiros de mar.

Copyright © 2011 by MCéuNeves

quinta-feira, dezembro 09, 2010

“Ruínas da Alma”

Em ruínas está o corpo

Em ruínas a mente está

E no meio de tantas ruínas

A alegria por onde andará?!

No meio de tanta pedra

Sinto a casa a ruir

E com tanta tristeza no peito

Só me apetece fugir.

Fugir sem nada dizer

Do muito que me vai na alma

Escrever é o que posso fazer

Para poder ficar mais calma.

Copyright © 2010 by MCéuNeves

quarta-feira, dezembro 08, 2010

“Da Cor do Tempo”


E, quando menos se esperava

Sumiu, evaporou-se

Ninguém deu por nada

Ninguém se lamentava

Ela apenas se recordava.

Sentada num canto no seu espaço

As lágrimas vertia

Ninguém sabia como sofria, como chorava

Como tinha a alma dilacerada,

Feita em farrapos.

Azedume pela vida não tinha.

Dentro de si a esperança vivia

Fazia-se presente a cada instante.

Contudo, no meio de todos, no centro do nada

Ela nada revelava, apenas sentia

A dor que pairava

Que a amordaçava, esfrangalhava.

Olhava as plantas, as flores a crescer

O mar nas muralhas a bater

O sol a raiar.

Ouvia a música que pairava no ar

Como se mais nada existisse

E se partisse? ...

Inteira ou aos pedaços

Com máscara como os palhaços

Que por fora riem e por dentro se estilhaçam.

Nas brumas dos dias cinzentos

Nas trevas dos sonhos adormecidos

Ela paira suspensa por fios

Arrebatada pelas dores causadas, sentidas

Ela caminha por lugares desconhecidos

Em busca da vida prazenteira

Que em tempos experimentou.

E se alguma coisa restou

Foi o amor pela vida

Pelo doce, amargo, apimentado

Ou até mesmo diria… salgado.

E de tudo quanto de si deu

Uns dirão muito, outros dirão nada.

Copyright © 2010 by MCéuNeves

quinta-feira, setembro 02, 2010

“Paisagem Caída”

Uma velha senhora sentada no banco do seu jardim corta a relva com os olhos, dá milho aos pardais que esvoaçam ternos, em chilreios cálidos de Outono.

Acende-se uma vela, o frio abranda e lá ao longe na janela surge o gato cinza, calmo, pachorrento e adormece banhado pelos últimos raios do sol antes que a lua surja no horizonte.

Há pessoas na praça que nada enxergam

Apenas resistem, apenas sossegam, pois nada lhes assiste, nada as desperta.

De que estão à espera?

Que o galo cante na sua varanda, sem rolha no bico, sem asas nem crista?

Que coisa mais feia, que coisa mais triste

Depois se admiram quando a sua prole desiste.

No coreto, de verde tingido, já não há trompa nem clarinete

O som apagou-se, nada resiste.

No lago dos cisnes o lodo já surge,

Os patos se foram, o leão já não ruge

De olhos caídos no chão ferrugento, nas folhas tombadas pela força dos ventos

Sai daí cobra, mostra os teus lamentos.

Nos tempos de outrora, quem sabe, quem prova?!

Na fúria do tempo que tudo adormece, que tudo esquece

O que nos irá restar?

As lágrimas caídas, os risos abertos, as palavras ternas, os conhecimentos,

Apenas e só…

Sentimentos.

Copyright © 2010 by MCéuNeves