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quinta-feira, maio 07, 2015

“Pingos de vida”



Banhas o meu corpo com teu ar doce, salgado
Mesmo sabendo que o teu sangue está envenenado
Antes de até mim chegares, de me aconchegares
Com a tua corrente cristalina
Onde o sol se reflecte a cada esquina do teu amanhecer
Quando livre deslizas no teu leito encantado, serpenteado
Soltas pingos e limpas o ar que respiro
Cheiros inodoros penetram cada poro quando te aspiro
Teus sucos são bênçãos nos meus áridos desertos
Quando te absorvo de um trago ou suavemente
Semeias cor, dás vida a cada célula que tocas, renovas
Invernos gelados, Primaveras de tempestades aguadas
Absorvidas pelo raio de calor que te aquece e ilumina
Mergulho por entre as tuas gotas, molhadas
Sinto-te nos dedos quando acordo e te toco, orvalho matinal
Atravesso o nevoeiro profundo onde ecoam os teus sons suaves
Ouço o teu gemido, o teu grito de apelo:
Áááguuua! Ááááááguuuuuuaaaa!
E mais longe ainda, do fundo do poço
Áááguuuuaaa!
Eu sou, ÁGUA!
Copyright © 2015 by MCéuNeves 

segunda-feira, abril 13, 2015

“Beijo”

Beijo na mente as flores no caminho que por mim passam
Beijo no coração as espadas que me ferram
Beijo nas mãos o carinho que perpassa nas correntes
Beijo na alma o vento, o sol, a chuva, a terra
Beijo a ardência dos dias na sua sequência infinda
Beijo o que me rodeia, o que me preenche
Beijo
Copyright © 2015 by MCéuNeves 

sexta-feira, março 20, 2015

“Um Galo”



Cai e levanta
Cai e levanta
Arrasta-se pelo chão
Um galo canta
A canção do bandido
E ela arrasta-se
Levanta, não levanta
E o galo canta
Não há galinhas a cacarejar
Nem portas a rebentar
E o galo canta
E a mula a zurrar
E ela se levanta
Com picos na garganta
Os olhos a chorar
Ri e pergunta ao galo:
P’ra quê chatear?
Eu sei que vai curar
E tu,
Tu vais parar de piar
Copyright © 2015 by MCéuNeves 

terça-feira, fevereiro 05, 2013

“Sensibilidade à solta”


“Sensibilidade à solta”
Traz lágrimas
sorrisos
Gargalhadas
em frisos
baralhados
escondidos
repenicados
torcidos…
Sentidos
De uma só gota
retorta
direita
em vão pelo chão.
Copyright © 2013 by MCéuNeves

domingo, janeiro 13, 2013

“ACORDA!”

Acorda miserável!
Antes que tropeces nas palavras
Ditas sem profundidade.
Acorda palerma!
Antes que te deites
Nas acções que não são nada
Acorda verme!
Antes que te enfiem o supositório roxo
Que não presta e te fere
Acorda leão!
Antes que te mordam o espanador das moscas
Que te alivia a pressão
Acorda!
Grita! Ruge! Age!
Sente o poder aluvião
Que te ensanguenta as ventas
Que te atiça a vontade
Que te torna um furacão
ACORDA!
Copyright © 2013 by MCéuNeves

quinta-feira, novembro 01, 2012

“Olho de Serpente”


A lua espreita lá em cima
As lágrimas salgadas que caem sobre a terra
Amargo doce que refresca
A alma que seca deserta no seu interior
Ouve os sons musicais, quantas vezes infernais
Que entram nos sulcos deixados pelas correntes, quentes
Geladas
Semi cerradas pelos arbustos que os ladeiam.

Salpicos de sol fazem-se sentir,
Iludir nas transmutações dos dias e das noites
Qual martelo a aplaudir a bigorna
Onde os ferros se retorcem, esticam,
Enguiçam, entrelaçam
Em braços fortes ou frouxos
Destemperados, azedos,
Quais brinquedos partidos, idos
E nunca mais à esperança da criança
Reunidos.
Copyright© 2012 by MCéuNeves
      

quinta-feira, novembro 17, 2011

"A Marcha do Nu"

Nus ao mundo nós viémos
Nus embora havemos de ir
Nus todos os dias ficamos
Nus sem conseguir rir.
Nus, simplesmente nus.

Nus de fome sangrenta
Nus sem abrigo nem casa
Nus com conhecimentos
Nus muito esperançados
Nus sem apelo nem graça
Nus, simplesmente nus.

Nus carecas, penteados
Nus sujos, lavados, sebentos
Nus gordurosos, vinagrentos
Nus inodoros, perfumados
Nus magros, obesos, cansados
Nus, simplesmente nus.

Nus revoltados, vingativos
Nus agressivos, transviados
Nus loucos, parados, dormentes
Nus, simplesmente nus.

Nus sem sonhos, sem casas, sem livros
Nus sem camisas, sem sapatos, sem dentes
Nus sem famílias, sem amigos, sem parentes
Nus, simplesmente nus.

Copyright © 20011 by MCéuNeves

quarta-feira, dezembro 08, 2010

“Da Cor do Tempo”


E, quando menos se esperava

Sumiu, evaporou-se

Ninguém deu por nada

Ninguém se lamentava

Ela apenas se recordava.

Sentada num canto no seu espaço

As lágrimas vertia

Ninguém sabia como sofria, como chorava

Como tinha a alma dilacerada,

Feita em farrapos.

Azedume pela vida não tinha.

Dentro de si a esperança vivia

Fazia-se presente a cada instante.

Contudo, no meio de todos, no centro do nada

Ela nada revelava, apenas sentia

A dor que pairava

Que a amordaçava, esfrangalhava.

Olhava as plantas, as flores a crescer

O mar nas muralhas a bater

O sol a raiar.

Ouvia a música que pairava no ar

Como se mais nada existisse

E se partisse? ...

Inteira ou aos pedaços

Com máscara como os palhaços

Que por fora riem e por dentro se estilhaçam.

Nas brumas dos dias cinzentos

Nas trevas dos sonhos adormecidos

Ela paira suspensa por fios

Arrebatada pelas dores causadas, sentidas

Ela caminha por lugares desconhecidos

Em busca da vida prazenteira

Que em tempos experimentou.

E se alguma coisa restou

Foi o amor pela vida

Pelo doce, amargo, apimentado

Ou até mesmo diria… salgado.

E de tudo quanto de si deu

Uns dirão muito, outros dirão nada.

Copyright © 2010 by MCéuNeves

quarta-feira, julho 28, 2010

"Céu Neves"


Mãe não sou, não fui nem serei.

Mãe eu sinto dentro de mim

Tão fundo!...

Como se algum dia o tivesse sido

Sentido, criado e,

...Mesmo sem ter gerado,

Eu acredito

Nas lágrimas saídas

Nas distâncias percorridas

Nos sorrisos, nas partilhas

Nos pesares, nas aflições

De todos os corações

Que sempre tão alto gritam.

Sou Mulher, sou filha, sou tia

Sou de todos e de ninguém

Sobretudo sou Eu

A mim pertenço

A mais ninguém

Dou, dei e sempre darei

O que todas as mulheres têm

E que tão bem sempre sabem dar

Amor.

Só não sabem o que é sentir

As lágrimas de quem não foi

De quem sempre tem que ouvir,

Calar,

Apenas chorar

Apenas e só sentir

Apenas e só sorrir

Viver.

Copyright © 2010 by MCéuNeves

sexta-feira, maio 21, 2010

"Saudades"


Saudades
Surpresas
Encantos
Muralhas
Garrafas
Partidas
Romances
Mortalhas
Enganos
Sarilhos
Tormentos
Canalhas
Sementes
Perdidas
Saudades
Orvalhos.

Copyright©2010byMCéuNeves

domingo, março 29, 2009

"Do Nada..."


Do nada se faz crescer,
Do nada se inventa
Do nada se renova
Do nada se movimenta.
Do nada...
Nada, nadar
Ir, progredir
Nada!
Copyright © 2009 by MCéuNeves

terça-feira, novembro 27, 2007



“Bom Dia!”
Livre navego
Nas águas calmas da vida
Sem sombras
O sol reflecte-se no horizonte
Caminho forte e segura
Novo rumo aconchegante
Fresco e leve
Qual pluma que flutua
Nas asas de uma andorinha
É bom ter esperança
Acreditar
Que as mudanças para melhor
Estão mesmo a chegar.
Bom Dia!

Copyright © 2007 by MCéuNeves

segunda-feira, novembro 19, 2007

“Poema da Ampulheta”

Desespero,
Medo,
Comodidade…
O tempo passa,
Passa, passa
E não volta.
Vira, revira,
Volta a virar
E o tempo a passar
A calar o silêncio…
Mas há que mudar,
Que virar
Que soltar
Partir,
Explodir
Rebentar
Libertar
E AVANÇAR.

Copyright © 1994 by MCéuNeves

segunda-feira, junho 04, 2007


“Tempo de Liberdade”
Andava eu por aqui
A mexer nos meus pedaços
Reparei logo ali
Num que estava ofuscado.
Era um conto fugaz,
Muito tonto e envergonhado
Que fora escrito à pressa
Num dia muito aziago
Em que a força esmaece.
Reli as breves palavras,
Relembrei dias alegres
Brotaram sorrisos soltos e,
De mãos abertas recebi
Como dádivas bem merecidas
Notícias vindas de longe.
Vieram à mente os sonhos
Que andavam arredios
No meio da escuridão
Que mos tinha entorpecido.
Como é bom ter esperança,
Acreditar no futuro,
Mesmo que só em lembrança
O mundo fica mais puro.
Os olhos vêem mais claro
O que estava escondido
Beleza num conto gravado
Num papel descolorido
Relata a continuidade dum tempo
Em que nada foi perdido
Feito de turbulências, irreverências,
Futilidades, responsabilidades
Forças e persistências
Que se tornam liberdade.

Copyright © 2007 by MC
éuNeves

quarta-feira, maio 30, 2007


“Aonde Andas?”
Aonde andas criança?!
Mostra-te para mim…
Vem comigo brincar,
No chão vamos rolar
Perdermo-nos do real.
Assola à minha janela
Que tu tão bem conheces
Não me deixes, aparece
Ergue-te para mim…
As saudades são imensas
Regressa ao meu jardim.
Copyright © 2005 by MCéuNeves

quinta-feira, maio 24, 2007


“ Um pouco mais...”

Há gestos que dizem
O que da boca não sai.
Contudo ficamos felizes
Quando a mente se abre e diz
Tudo quanto dentro lhe vai.

Anos de contenção
Vivendo só de emoção
Sem transcrever em palavras
Tudo quanto sentimos
Que nos gestos traduzimos
Nos preenche o coração.

O simples que complicamos
As normas que contestamos
Nos agrilhoam a alma.
Num momento de silêncio
Abrem-se todas as portas
Inseguras, determinadas, confiantes
Soltam todas as amarras
Libertam todo o seu grito
Contido no tempo, no espaço
Que num momento sentido
Se estendem, ao pleno vivido
Esclarecendo seus passos.

Quando as palavras traduzem
O que na alma guardamos
Todos os sinos repicam
As estrelas brilham, levitam
Inundam todo o espaço.
Sorrisos saem ligeiros
Correndo ao infinito
Retornam, trazem o cheiro
Que penetra o mundo inteiro
Da felicidade, dum grito.
A calma instala-se então
Refaz energias vitais.
Do fundo do coração
Emanam tantos sinais...
Paz, amor, alegria
A combinação perfeita
Treme o corpo
A alma ri, reluz
Do bem que isso lhe traz.

Copyright © 2002-2003 by MCéuNeves

terça-feira, maio 08, 2007


"Jogo, movimento, vida A roda que gira, que nos faz sonhar"
Jogos de palavras
De sorte e azar
Jogo da vida
Cantada, sofrida
Movimento, ternura
Amor e doçura
Adrenalina sentida
Nos transporta no ar
Subimos ao pico
Com garra e suor
Bem lá no alto elevamos os braços
Emanamos calor
Cantamos,
Voamos,
Olhamos em redor
A terra, os lagos, os rios, o mar
O azul do céu
O sol, a lua em luar.
Vida de jogos,
O jogo da vida.
Riscos calculados,
Tácticas aplicadas...
Perdem-se uns,
Empatam-se outros
Mas... Muitos se ganham
E nesse ganhar
Tudo incluímos
As perdas, os ganhos,
Que nos enriquecem
Nos desenvolvem
Nos fazem crescer
Na totalidade...
Que é o nosso SER.

Copyright © 2002 by MCéuNeves



quarta-feira, maio 02, 2007


"É Vida e com Alegria tem que se Andar"


Em dias de nevoeiro cerrado
Aos tropeços pelo chão
Encontro uma barata gorda
A dizer “que não”, “que não”.
Finto-a pela calada
Sem fazer qualquer ruído
Caio em mais uma pedra
Uiiii… a danada
Que estava à minha espera…
Desorientada levanto-me
Prossigo o meu caminho
Hei-de encontrar o sol
Que me espera sorrindo.
Labirinto tão cerrado
Não esperava encontrar
Nos vales, montanhas da vida
Que tanto fazem chorar.
É um subir e descer
Tão caótico por vezes
Que me apanha desprevenida
Sem saber o que fazer.
Espero um dia travar
Tão complexo movimento
Para ver o sol raiar
Livre e sem sofrimento.

Copyright © 2007 by MCéuNeves

sábado, maio 20, 2006



“Contas e contos”

Contas e mais contas
Contas de rosário, de somar, dividir, multiplicar,
Tudo são contas…
Contas que se deitam à vida
E que mais contas?
Contas, contos de vida…
Contos de fadas
Fadadas em vidas de felicidades eternas!
Histórias aos quadradinhos
Que encantam os mais pequeninos,
Contos de super homens
Que ludibriam os mais incautos.
Contas e mais contas
Contas tudo quanto se queira contar.
Vai mais um conto?
O conto da tua vida
Da tua história vivida
Contado sem pestanejar.
Serás capaz?
Ou será que vais gaguejar?!!!!!!!
Um conto, simplesmente
Um conto
Um conto de reis,
Dez mil reis
Em notas que nos fazem recordar
Tempos de outrora,
Tempos de infância
Que sabe bem recordar.

Copyright © 2006 by MCéuNeves